Trecho de O Alfa de Alamus

Petrus rosnou alto para vociferar sua vitória e então se acalmou, respirou fundo e voltou, em partes, na sua forma humana.
Lentamente girou o corpo, da cintura para cima, e olhou para trás, para Sami, que estava olhando para ele com os olhos arregalados, respirando com dificuldade. Ela tinha se levantado do chão e se encostado à parede para observar a luta.
Bem, ver Petrus era a última coisa que ela pensou em sua vida. Afinal, ela estava nos Estados Unidos, num beco imundo, entre milhares deles, no meio da madrugada.
O que infernos ele fazia ali?
O medo, o assombro, espanto, raiva e até alegria ou tudo misturado, que ela não soube explicar, se abateu sobre ela.
Era tipo uma miscelânea de todos os sentimentos fortes, controversos, que poderia sentir tudo de uma vez e se ela não estivesse encostada na parede de tijolos, estaria tombada no chão como uma poça d´água.
— Olá, Sami — ele disse calmamente, tão melodioso que ela pensou que suas vistas ficaram nubladas e seus ouvidos zuniram.
Ela arfou e não respondeu, porque toda aquela concentração de porcarias estava entalada na sua garganta.
Ele era um predador, sexy como o puro pecado, vestido com uma calça de couro preta colada, mostrando sua bunda perfeita e coxas musculosas, uma camiseta preta que agarrava seu corpo como uma segunda pele, e usando uma jaqueta de couro negra cheia de fivelas e tachas.
Tudo aquilo moldando aquela montanha de músculos que ainda estava suportada por uma pesada bota de motociclista se virou totalmente para ela.
Ele ainda estava com as presas longas e olhos cintilando, então voltou completamente ao normal, e ela, que não tinha o visto daquela maneira ainda, o achou assustador.
Se não fosse uma loba e já estivesse familiarizada, gritaria como uma menininha histérica.
Quando aqueles olhos brancos, incríveis e gélidos como um cubo de gelo a olharam, e logo se transformaram num olhar quente que quase a derreteu, toda aquela enxurrada de sentimentos desconhecidos que ela tinha enterrado dentro de seu coração explodiu.
Suas memórias voltaram. Memórias de mais de dois anos atrás em uma longínqua Alemanha. O gosto do seu beijo, seus olhares fulminantes, seu sorriso malandro, sua voz, o fogo de seu toque que acometia sua pele. Como a seguia para todo lado, como dizia que a desejava.
Quando dava aquele sorrisinho no canto da boca, por sua língua afiada que a deixava vermelha como um tomate. Como a excitava sem nem ao mesmo tocá-la de forma depravada.
Ela lembrou quando ele pediu que ficasse com ele, e ela quase tinha sucumbido.
Ele lentamente andou até ela, que estava petrificada e parou a cinco centímetros dela, onde seu cheiro quase a sufocou. Ele colocou as mãos na lateral de sua cabeça, escorando-se na parede para ficar com o olhar da mesma altura que o seu.
Um alfa puro e poderoso, exalando um cheiro afrodisíaco, misturado com o cheiro do couro. Forte e másculo.
Maldito.
— O que está fazendo aqui neste beco lutando com lobos, minha preciosa? Minha Sami nunca aprende a ficar fora de confusão?
Isso foi um balde de água fria nas suas doces lembranças.
Então, as brincadeiras idiotas dele surgiram na sua mente, sua passagem grotesca pelos laboratórios, vendo o que acontecia ali, ela tentando ajudar a loba, ela sendo mordida, o terror, o medo, sua vida indo ladeira abaixo, a morte de seu pai e o porquê ela estava ali.
Isso cegou sua mente e ela gritou em meio a um rosnado e bateu com as duas mãos em seu peito, o empurrando, o que o deixou espantado, dando dois longos passos para trás.
Com os olhos arregalados, Petrus olhou para ela.
— Calma, Sami, sou eu, Petrus. Recorda?
— Eu me recordo. O bastardo que me deixou prisioneira na Alemanha.
— Oh, calma aí. Eu não a deixei prisioneira…
— Não? Presa no quarto no subterrâneo da casa. Presa, rodeada por vários lobos que me impediam de sair e me traziam de volta quando eu tentava sair.
— Era para sua proteção, sabe disso.
— Uma merda! Eu implorei que me deixasse ir.
— Precisávamos saber quem era. O que tudo aquilo implicava, Sami, estava mordida e reclamada por um lobo que queria te levar, estava protegida ali.
— Nunca estive protegida entre lobos.
— Sami, você é uma loba e pensei que tivesse se acostumado a isso.
— Nunca vou me acostumar à aberração que me transformaram e o que vocês me fizeram. Você tirou tudo de mim! — gritou.
— Sami…
— Agora saia da minha frente e me deixe ir, antes que eu o mate.
— Me matar? Oh, querida loba, me matar de prazer eu até posso consentir, mas fazer com que meus pulmões parem de respirar é bem difícil.
— Difícil, mas não impossível.
Ela girou nos calcanhares e começou a andar para longe do beco com passadas largas.
Estupefato com a maneira que ela estava falando com ele, com tanta raiva, Petrus saltou alto, ultrapassando sobre ela e caindo na sua frente, fazendo-a parar bruscamente.
— Não quero mais lutar por hoje, me deixe passar — ela disse trincando os dentes.
— Oh, amor, mas acabamos de nos encontrar. Que tal tomarmos uma cerveja gelada e conversarmos sobre o que anda aprontando, hã? Devo dizer, mulher, que está sexy como o inferno nesta roupa de couro. Eu nem consegui acreditar que era você, pensei que meus olhos estavam me enganando. Mas não vou negar que gostei, estamos fazendo um belo par em couro, que tal um pouco de sexo selvagem e um chicote?
Ela rosnou e saltou sobre ele, mas não o atingiu porque ele se esquivou de seu golpe.
— Brabinha… Gosto assim, selvagem, mas confesso que tenho saudade de minha doce Sami. Desbocada, mas doce.
— Não sou sua doce Sami! — gritou com um rosnado.
Ela o atacou com golpes com os punhos, pés e com giros que o deixou espantado. Era muito rápida e eficiente.
Ele conseguiu se defender de seus golpes, até que ela deu uma cambalhota e seu pé bateu no rosto de Petrus. Ele cambaleou e quase caiu, ficou zangado quando viu seus lábios sangrando e se transformou em sua forma Dhálea e rosnou para ela.
— Está alterada, loba.
— E você está se metendo onde não deve!
 
O Alfa de Alamus Vol 4 – Série Os Lobos de Ester
 
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