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Influência dos Figurinos dos Astros na Vida Real

 

Influência dos Figurinos dos Astros na Vida Real

 

Abstract:
O objetivo aqui é levantar a importância de pesquisar a catarse entre um espetáculo e o público, a influência que um astro pode causar na nossa vida, como ele contribue e influencia as pessoas com sua aparição no show business, entender este processo é tão imprescindível quanto entender a cabeça humana. As pessoas são influenciadas por este furacão de informações que são passadas através das roupas dos astros, por ele mesmo ou por personagens que interpretam. Este artigo mostra um vislumbre do processo que ocorre que não é de hoje mas desde a advenção das estrelas da ópera e criação do cinema, hoje um dos maiores propulsores deste fenômeno. Um processo que psicologicamente estudado nos mostra que nossa vida é influenciável e que gostaríamos de ser ou ter um pouquinho que fosse dos personagens e ídolos, seja como atores ou músicos. Copiar suas roupas e seu modo de falar, seu comportamento, seus garbões é generalizado, basta analisarmos nas ruas e nas lojas como encontramos roupas, acessórios, maquiagem que vimos na TV ou no cinema e até mesmo em uma festa a fantasia como há personagens imitados.

A vida imaginária dos deuses e heróis, são uma imagem que faz com que os “mortais” tentem suprimir sua vida tediosa; sonham em ser como eles, e viver suas aventuras, e o filme que é uma duplicação da vida, projeta essa identificação, fazendo dos atores e atrizes modelos e espelhos de imitações, e até mesmo uma mercadoria, é a multiplicação da sua imagem, uma potência mítica que atrai febrilmente. Segue-se o regime alimentar e corporal da estrela. Adotam-se a maquiagem e os cosméticos que ela usa, imitam-se sua toilette, seu comportamento e seus tiques MORIN, 1989:67.

A identificação iniciada na sala de exibição pode prosseguir do lado de fora do espetáculo: segundo uma pesquisa feita por J.P. Mayer em British cinemas and their Audiences:

-“Quando voltava para casa, sonhava ser a linda heroína vestida magnificamente, com uma pluma nos cabelos” – aprendiz de cabeleireira de 16 anos e meio, op.cit.” MORIN, 1989:66.

-“Lembro que copiei o estilo da roupa que Mirna Loy usava num filme, e me senti muito Hollywood” – datilógrafa de 23 anos, ibid. MORIN, 1989:66.

Já muito antes do início do cinema, as pessoas imitam seus personagens favoritos, seus ídolos. Após a consagração vinda do palco onde se representava a ópera e o teatro pelas divas dos palcos, principalmente no século XIX e início do século XX, as cantoras inspiravam as damas da sociedade a copiarem suas roupas, pois sabiam que seus maridos as admiravam e discretamente, sem deixarem que fossem percebidas, tentavam vestir-se como elas. Hoje os palcos deixaram muito de ter esta influência nas vestimentas, mas levam a identificação pelo sentimento de alegria e sonho mesmo assim. A partir de 1914, os cinemas americano e francês reinavam no mercado mundial, e já começaram a fazer com que no momento que o filme era lançado, provocassem a chuva de pedidos de vestidos iguais à da mocinha do filme na modista da cidade pelas mulheres elegantes.

Desde então, é sobre uma imensa e das maiores quantidades de público que as estrelas de Hollywood exercem a sua influência na moda. Em 1930, o costureiro Bernard Waldam teve a idéia de capitalizar essa tendência, lançando no “Modern Merchandising Bureau” o “Estilo das Estrelas de TV” e “Modas do Cinema”, padronizando e espelhando no mercado um gênero de roupa inspirado em filmes de sucesso.

Este tipo de mercado é muito comum, lojas especializadas em criar figurinos inspirados em filmes famosos. E estas mesmas lojas, podem servir de referencial para outros figurinistas e podem fornecer alguns trajes para peças de teatro, dança e filmes, com ou sem alterações.
Ex.: Alguns figurinos para o Filme Titanic foram comprados prontos ou encomendados pela figurinista do filme em lojas de roupas antigas nos Estados Unidos e algumas na Inglaterra.

Estas mesmas lojas venderam milhares de vestidos iguais ao de Rose (Kate Wislet) após o filme ter sido lançado. Não somente as roupas, mas também os acessórios passam pelo mesmo processo.O colar de diamante azul em forma de coração usado no filme, chamado de “Coração do Oceano”, foi replicado no mundo todo. Uma jóia que teria existido na realidade e pertencido à Luis XIV.

Se a alta-costura parisiense é soberana quanto ao comprimento da saia e continua a deter o monopólio da moda de curto período, são as estrelas de cinema que se colocam na vanguarda das grandes tendências de moda, quebrando ou suavizando os tabus vigentes. Em 1941, as grandes atrizes hollywoodianas adotaram tecidos e roupas masculinas (tweeds, shorts, camisas), enquanto as estrelas masculinas usavam tecidos e cores até então próprio à mulheres. Uma mulher é capaz de derrubar o dogma do reino fashion. Nú sob sua camisa em “Aconteceu naquela Noite”, Clark Gable infligiu um golpe tão demolidor na venda de camiseta que o sindicato dos fabricantes de malhas pediu a eliminação dessa cena anti-camiseta. MORIN, 1989:97.

Não somente os trajes no cinema influenciam os espectadores, mas os dos artistas da música também o fazem. As roupas dos artistas musicais influenciam na sua imagem, como fortemente o público foi influenciado pelos trajes de Madonna, e tantos outros astros da música, como Guns and Roses que influenciou o movimento grunge, Cindy Lauper com suas roupas extravagantes e seus cabelos coloridos, Britney Spiers com suas roupas fashion e calças de cintura baixa, Bon Jovi principalmente nos anos 80 com roupas cheias de estilo e mistura de tecidos e cabelos com permanente, muitas fãs foram flagradas com tatuagem do símbolo do supermen no braço igual à que Bon Jovi tem no braço, entre tantos outros exemplos. Geralmente astros com características rebeldes, tendem a influenciar mais, principalmente os jovens.

No Brasil o maior propulsor deste fenômeno são as novelas. Ocorre rapidamente uma cópia nas ruas e lojas, das roupas da protagonista das novelas da moda, corte de cabelo, maquiagem e uso de acessórios, além das atrizes e atores também serem imitados no seu comportamento, na sua maneira de falar ou agir. Este modismo tem duração curta e sai tão rápido quanto chegou sendo assim aberta outra brecha para outro “boom” do momento. Alguns fãs ainda seguem fiéis aos seus ídolos se não usando mas guardando tudo sobre seus ídolos.

Estudando a linguagem das roupas descobrimos muitas mensagens passadas através das cores, texturas e formas dos trajes e também dos acessórios que são usados. O visual geral é reforçado pelas roupas, podemos entender o sentimento, o momento que está ocorrendo somente pelo tipo de vestimenta que o ator esta usando em determinado momento da cena , a linguagem visual é inteiramente carregada de símbolos também estudado pela semiótica e atinge o subconsciente e nos revela muitas intenções, ações, sentimentos e situa o personagem no ambiente social, temporal, regional e cultural.

A estrela é essencialmente padrão-modelo, que determina a aparência exterior (vestuário, maquiagem), também serve de exemplo aos comportamentos da alma: a estrela torna-se boa conselheira, um anjo da guarda…e é a própria estrela que dá a imagem e o modelo dessa máscara e desse disfarce: nós a integramos à nossa personagem, assimilando-a à nossa própria pessoa. MORIN, 1989: 101.

Um dos exemplos mais fortes que fortalecem o que se está expondo aqui, foi o ator James Dean. Ele foi um modelo de expressão típica da adolescência em geral e da adolescência americana em particular.

Ele fixou uma maneira de se vestir que exprime uma atitude em relação à sociedade: o blue jeans, a jaqueta de couro, a camiseta, a abolição da gravata, o desabotoado e o desleixado voluntário são igualmente signos ostensivos, de uma resistência as convenções sociais do mundo dos adultos. Na realidade, James Dean não inovou em nada, apenas canonizou um conjunto de normas do vestuário que permitiu a uma classe de idade se afirmar, e se afirmar mais ainda através da imitação que faziam de seu ídolo.

Podemos concluir então que como no passado Aristóteles já defendia o processo de identificação e acreditava que no espetáculo deve ocorrer a catarse e atingir o público, ocorreu no passado e ocorre ainda nos dias de hoje. Defendia que a tragédia deve causar no espectador um sentimento de medo ou piedade, sendo assim, o espectador entra em catarse, que é o processo esperado na apresentação de uma arte. É um momento de atingir o psicológico, causando assim a identificação da tragédia com o espectador, deve ocorrer um apaziguamento ou aprimoramento no coração, deve atiçar a alma, passar a mensagem de sermos melhores, mexer com nossas emoções.

As emoções dolorosas nos causa uma piedade com o personagem representado, do sofrimento de outra pessoa, muitas vezes já conhecemos este sentimento e isto é como se abrisse nossa ferida, e nos faz sofrer e nos identificar com o personagem, ou então imaginamos que estamos no lugar dele , passando por isto. O sentimento de querer passar por aquilo, geralmente é a sentimento da identificação que nos aflora o sentimento de esperança. Com uma identificação da ação em momentos de felicidade, amor, romantismo, ou o desejo de viver aquele conto de fadas e ter um final feliz é o que nosso inconsciente deseja e a psicologia defende este processo.

Podemos entender sobre piedade o sentimento que ocorre de alguém a outrem que está passando por uma situação que acreditamos ser indevida, um terror não merecido à alguém. Prazer é a alegria que nos acerta o coração e nos faz sair de um teatro mais animados, mais com vontade de viver, revigora nossas energias, nos faz rir e nos traz raios de sol para nossos dias. É uma identificação com algo que gostaríamos de nos deparar todos os dias, situações de otimismo, alegria, um amor conquistado, enfim um final feliz.

 

 

Bibliografia

ECO, Umberto. SIGURTÁ, Marino. ALBERONI, Francisco. DORFLES, Gillo. LOMAZZI, Giorgio. Psicologia do Vestir . 3a edição. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989.

CAPUZZO, Heitor. Cinema: A Aventura do Sonho. São Paulo: Editora Nacional, 1986.

MORIN, Edgar. As Estrelas: Mito e Sedução no Cinema. Rio de Janeiro: José Olympio,1989.

ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às Grandes Teorias do Teatro; tradução André Telles. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

*Artigo publicado em 2006

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